Eu bem que queria fazer um texto como se deve sobre meu regresso ao lar que não é mais tão meu.
Gostaria mesmo de escrever sobre como é irritantemente bom sofrer esse calor amazônida de outubro ou sobre como é bom ouvir minha língua com sotaque e inflexões das vozes queridas, sobre a emoção de ver os romeiros de longe chegando na cidade ou de tomar um prato cheio de tucupi mas... a viagem de volta foi degradante demais.
O que deveria durar pouco mais de 20 longas e cansativas horas, com escalas e trocas de avião incluídas, durou mais de 48 horas. E tudo por quê? Porque este ser desprezível que sou insiste em querer parar, ao menos por umas horas, em Lisboa mesmo sabendo dos rotineiros atrasos da TAP Portugal. O que eu não sabia é que os atrasos, assim como os serviços e a deseducação do pessoal de bordo da companhia, tinham piorado SIGNIFICATIVAMENTE entre 2005 e 2006.
Nem mesmo os taxistas de Lisboa querem ser pagos pelos TAPeadores! É mole?! Eles se recusam a levar os passageiros vítimas dos atrasos da companhia para os hotéis designados! Dizem que a os TAPeadores pagam uma tarifa baixa demais pelas corridas e os otários que, como eu, quiserem desesperadamente chegar até um hotel e desmaiar de cansaço sobre uma cama, devem pagar dos próprios bolsos as corridas ou humilhar-se o bastante para comover algum taxista mais caridoso!!!
Estou ainda transtornada. Fecho os olhos e lembro dos absurdos que tive que ouvir daqueles miseráveis da TAP... e nem vou falar do tratamento recebido no hotel VipArt's de Lisboa que é para não vomitar.
Racistas de merda há por toda a parte, sabe-se, mas há povos (ou frações de povos) que, pela própria história e pela própria condição, não poderiam mais se permitir tamanha pequenez.
Uma coisa é certa: a cor de meu rico e suado dinheirinho Lisboa e TAP não irão mais ver.